Passei boa parte da minha vida tendo questões alimentares, dentre elas transtornos como compulsão alimentar e bulimia. Em paralelo, também muitas questões hormonais, que eram tão normalizadas ao ponto de nem sequer termos a chance de questionar as orientações médicas. Fazer dieta era uma constante, numa briga eterna com o meu corpo, para manter ele o mais magro possível (porque era assim o conceito de beleza).
Na casa dos 30 anos é que comecei a despertar, começando por tomar posse do meu próprio corpo, desfazendo várias amarras invisíveis que me levavam a comportamentos disfuncionais. Ali, iniciando o meu processo de cura, já começava a nascer uma terapeuta, pois ao aprender a ser cientista de mim mesma e do meu corpo, já estava de certa forma aprendendo a ver e compreender melhor o outro.